Falo de livre-arbirio é só recebo respostas colocando a culpa nos sistemas humanos, capitalismo, por exemplo. Ora, os sistemas humanos pode funcionar perfeitamente com universalismo. Não é excludente. No caso do capitalismo, atualmente vivemos um capitalismo egoísta. É nossa escolha atual e recorrente. Mas podemos escolher um capitalismo universalista, basta escolhermos.
Capitalismo, casamento, escola, internet, etc, são todos sistemas humanos de troca. Egoísmo é como escolhemos usar os sistemas de troca. Nenhum sistema humano de troca pode ser ou não ser egoísta, pois sistema é apenas sistema. Quem faz um sistema funcionar (ou não) de forma egoísta são os usuários do sistema. Ou seja, cada um de nós, sócios desta sociedade humana.
Então, a culpa não é do sistema, é de cada um de nós, usuários.
Agora, claro que é mais fácil lavar as mãos e jogar nossa responsabilidade pra cima do sistema, ou pra cima do outro, feito batata quente. Mas pergunto: adianta? Nós temos feito isto todo dia e o que temos perpetuado? Amor? Verdade? Amizade? Paz? Confiança? Solidariedade? Bem estar?
Livre-arbítrio nunca foi e nunca será questão de filosofia, religião, nem ciência. Livre-arbítrio é simples questão de vergonha na cara. Quer ver?
Quem quer viver numa realidade sem medo, sem hipocrisia, sem enganação, sem violência, em que todos dêem o melhor de si ao próximo, ao invés do pior? Muito bem! E quem quer abrir mão do próprio egoísmo levanta a mão?
Precisa explicar mais alguma coisa?
garçons da vida
Deixando de lado o dinheiro que você recebe pelo serviço que executa todos os dias, e seja sua profissão qual for, pergunto: qual é o propósito de fazer o que faz? Vamos supor que você é padeiro, qual é o propósito de você fazer pão? Se você for um dentista, qual é o propósito de fazer tratamentos dentários? Nenhum padeiro acorda de madrugada pra fazer pão pra si mesmo, nenhum dentista aprende a fazer tratamento de canal pra tratar o próprio dente, não é mesmo? Percebe, que por mais que ignoremos, por mais que neguemos, nossa individualidade e expressão tem um propósito bem definido: possibilitar-nos servir ao próximo.Nossa individualidade e expressão individual serve pra que possamos servir ao próximo. Ou seja, ser um individuo, é como arranjar um emprego de garçom da vida. Quer ver só? O que pegamos na cozinha da vida e entregamos na mesa do próximo, vem da onde? Nosso corpo, todo bem matérial que possuimos, vem de nós mesmos? A vida que nos anima e possibilita fazer o que fazemos, vem de nós mesmos?
Claro que não! Somos todos garçons da vida. Contudo, usar nossa vida pra servir a vida do próximo é uma possibilidade, não é obrigação. Entre a comida que pegamos na cozinha da vida e a mesa do próximo, existe um percurso chamado livre-arbítrio. Durante este percurso, cabe a cada um de nós (cada garçom) decidir se usamos o que a vida colocou em nossas mãos pra servir ao próximo ou pra servir-se do próximo. É uma escolha simples e de intenção: entre poder ou amor, competição ou cooperação, egoísmo ou universalismo.
A vida é uma patroa justa, e nunca paga nenhum dos seus funcionarios (individuos), sem lhes dar o devido direito de escolha (livre-arbitrio). Então, se você acredita que a vida é injusta e não entende o porque do que tem vivido, sugiro que responda a si mesmo: tenho usado minha vida pra servir ao próximo ou servir-me do próximo?
big belém
O sino da catedral toca como num ringue de boxe. A roda de pessoas na praça é enorme. No centro há dois lutadores. Eles se preparam pra brigar. Usam tampões nos ouvidos e lutam de olhos fechado.
São seis horas. Os socos começam. O batedor magro, enquanto golpeia, grita algo a plenos pulmões. O lutador ruivo não percebe os gritos por causa dos tampões e dos olhos fechados. Mas, de repente, ele é acertado com força na cabeça e perde os tampões. Ainda de olhos fechados, começa a distinguir entre os gritos histéricos da multidão uma voz que diz: “Eu te amo, me desculpe”. Ele abre os olhos e descobre que a declaração está saindo da boca do seu oponente, junto com os golpe. Um sentimento estranho inunda seu corpo e ele passa a desviar dos golpes e repetir uma frase em resposta. Tenta também retirar os tampões dos ouvidos do seu adversário, mas sendo que ele foge, decide, como solução, golpeá-lo com força na cabeça.
Funciona! Os tampões do batedor magro caem e ele escuta a voz do seu oponente dizendo: “Eu te amo também”.
Os dois lutadores param espantados e se encaram. Embora a roda de apostadores continue gritando, embora nenhum dos dois esteja mais usando tampões, tudo é silencio e olhar profundo. Passado alguns segundos, os punhos dos lutadores vão se abrindo, seus corpos vão se aproximando, até que se abraçam.
Todas as pessoas em volta vão lentamente se aproximando e se juntando aquele abraço também. Eu, você, nossos familiares, nossos amigos, pessoas de outras cidades, outros paises, outros planetas, outras dimensões. Vamos todos nos juntando, atraidos por uma força estranha, num Big-Bang de marcha ré.
E o sino da catedral universal volta a tocar.
São seis horas. Os socos começam. O batedor magro, enquanto golpeia, grita algo a plenos pulmões. O lutador ruivo não percebe os gritos por causa dos tampões e dos olhos fechados. Mas, de repente, ele é acertado com força na cabeça e perde os tampões. Ainda de olhos fechados, começa a distinguir entre os gritos histéricos da multidão uma voz que diz: “Eu te amo, me desculpe”. Ele abre os olhos e descobre que a declaração está saindo da boca do seu oponente, junto com os golpe. Um sentimento estranho inunda seu corpo e ele passa a desviar dos golpes e repetir uma frase em resposta. Tenta também retirar os tampões dos ouvidos do seu adversário, mas sendo que ele foge, decide, como solução, golpeá-lo com força na cabeça.
Funciona! Os tampões do batedor magro caem e ele escuta a voz do seu oponente dizendo: “Eu te amo também”.
Os dois lutadores param espantados e se encaram. Embora a roda de apostadores continue gritando, embora nenhum dos dois esteja mais usando tampões, tudo é silencio e olhar profundo. Passado alguns segundos, os punhos dos lutadores vão se abrindo, seus corpos vão se aproximando, até que se abraçam.
Todas as pessoas em volta vão lentamente se aproximando e se juntando aquele abraço também. Eu, você, nossos familiares, nossos amigos, pessoas de outras cidades, outros paises, outros planetas, outras dimensões. Vamos todos nos juntando, atraidos por uma força estranha, num Big-Bang de marcha ré.
E o sino da catedral universal volta a tocar.
sou fominha, admito
A coisa mais comum é justificarmos nosso egoísmo falando em individualidade. Reis da barriga, levantamos a camisa e proclamamos a verdade natural “cada um que cuide do seu umbigo!”. Perfeito! Contudo, não é confundindo individualidade com egoísmo que exercemos nossa responsabilidade individual, muito pelo contrário, apenas fugimos dela.Individualidade é sim verdade natural, mas egoísmo é escolha. É graças a nossa individualidade natural que podemos escolher entre egoísmo ou universalismo. Reflita: como “eu” poderia optar por cooperar ou competir com o “outro” se não tivesse consciência individual, consciência de “eu e outro”? Então, individualidade é fundamental pro jogo da responsabilidade, porém, não é o mesmo que egoísmo.
Individualidade é cada um no seu quadrado. Egoísmo é “meu quadrado primeiro, meu quadrado segundo, meu quadrado terceiro, meu quadrado quarto, meu quadrado quinto, meu quadrado sexto, meu quadrado sétimo, meu quadrado ad infinito”.
No futebol, por exemplo, cada um tem sua posição, seu quadrado. O goleiro joga no quadrado do gol, os zagueiros jogam no quadrado da defesa e os atacantes jogam no quadrado do ataque. Cada jogador joga (cuida) do seu quadrado, mas faz isto pro beneficio coletivo, do time. Por isto, quando vemos um jogador usando sua posição (individualidade) apenas pro beneficio individual, dizemos que tal jogador é “fominha”.
Eu admito que sou fominha!
Admito que me dói profundamente perder, até pra quem eu digo que amo, minha esposa, meus familiares, meus amigos. Admito que gostaria que todas as pessoas (menos eu) fossem universalista, pra dobrarem suas individualidades a minha. Admito que uso o blablabla da individualidade pra justificar meu egoísmo. Admito que uso a teoria do universalismo pra fugir da prática. Mas admito também que estou tentando desatrofiar esta capacidade de jogar por nós, tentando deixar de ser um jogador "fominha". Admito que não é fácil, que sou viciado em egoísmo, que meu vicio sempre encontra uma maneira de se disfarçar de jesus cristo, mas que estou tentando.
Assinar:
Postagens (Atom)